- Sonetos do coração e outros poemas, s/e, 1997, s/l.
Eu queria cantar para meu pai
Eu queria cantar para meu pai,
A canção que outro dia fiz pra ele
Concentrado na luz dos olhos dele
Num amor que da minha alma sai.
Como um filho que ama e que não trai,
Abraçado também ia dizer-lhe
Trago o pinho somente e quero nele
Expressar-lhe a saudade que me atrai.
O senhor nunca ouviu o meu repente.
Ouça, agora, meu pai; venha, se sente
E escute a canção da minha dor.
Ao invés de chorar, me bata palma,
Restaurando alegria em minha alma,
Já que nunca cantei para o senhor".
Desejos de poeta
Quero só um bêmio como amigo,
Uma flor, o luar, uma calçada,
E um poeta na minha madrugada
Pra cantar a canço que não consigo.
Uma simples mulher beba comigo,
Totalmente de amor necessitada,
Eu conduza no drinque ou na tragada
Minha última esperança pra o jazigo.
Quero, sim, um boteco na cidade,
Pra que eu possa esconder minha saudade
Colocando no copo a minha dor.
E o meu corpo ao perder toda a estrutura,
Alguém bote na minha sepultura
"Aqui jaz um cativo do amor".
(Sonetos do coraço e outros poemas, págs. 3 e 18)