- Poemas da terra estranha, Leitura, 1969, Rio de Janeiro.
- Poemas grotescos, 1983.
- O espelho em que terminas, Arx Editora Ltda., 1986, Brasília.
Poema
Há uma nesga de mar nos teus cabelos
e não posso afastá-la dos meus passos:
antes deixo-a tingir-se de amarelo
para suster a cor nos meus cansaços.
O mar é de tormenta e pouco dano,
sem falar de corais com areia e sol.
Melhor deixá-lo - fúria e desengano -
enquanto em terra cresce o arrebol.
As sereia da praia e azul disperso
criando vão a cor que se emoldura.
Depois o sol maduro queima o verso,
enquanto a dor noturase aventura.
(Poemas da terra estranha, pág. 69)
Primeiro soneto sobre os olhos
Aqueles olhos garços, intranqüilos,
fitando a incerteza do infinito,
junto compunham a emoção de um grito
nunca ecoado como os mais cegos brilhos.
Olhos doentes assim, feitos de espanto,
enormementes curvos com o medo
instalado nas pupilas como um quedo
silêncio ausente, mudo no seu canto.
Olhos aquém de sombras e segredos
que pela noite espiam, orbitais,
oriundos de presságios e degredos.
Olhos assim nunca se viu, medonhos,
Como fitassem luares ancestrais
e os mais atormentados, negros sonhos
(O Espelho em que terminas, pág. 40)
