CÉSAR, TARCÍSIO MEIRA - Nasceu em Patos, em 1941, filho de José César Cavalcante Maria Rita Fragoso Meira. Inicou os estudos primários em Patos, fazendo o curso ginasial no Ginásio Diocesano de Patos. Transferiu-se, depois, para Recife, onde fez o curso colegial e completou sua formação intelectual, graduando-se em Ciências Sociais, pela Faculdade de Filosofia de Pernambuco. Ingressou na imprensa como profissional e colaborou em inúmeros jornais e revistas de todo o país. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde publicou seu primeiro livro. Publicou Poemas da terra estranha, livro de estréia, O espelho em que terminas.


B I B L I O G R A F I A


- Poemas da terra estranha, Leitura, 1969, Rio de Janeiro.

- Poemas grotescos, 1983.

- O espelho em que terminas, Arx Editora Ltda., 1986, Brasília.

ANTOLOGIA

                                  Poema


                      Há uma nesga de mar nos teus cabelos
                      e não posso afastá-la dos meus passos:
                      antes deixo-a tingir-se de amarelo
                      para suster a cor nos meus cansaços.

                      O mar é de tormenta e pouco dano,
                      sem falar de corais com areia e sol.
                      Melhor deixá-lo - fúria e desengano -
                      enquanto em terra cresce o arrebol.

                      As sereia da praia e azul disperso
                      criando vão a cor que se emoldura.
                      Depois o sol maduro queima o verso,
                      enquanto a dor noturase aventura.

                      (Poemas da terra estranha, pág. 69)



                               Primeiro soneto sobre os olhos

                     
                       Aqueles olhos garços, intranqüilos,
                       fitando a incerteza do infinito,
                       junto compunham a emoção de um grito
                       nunca ecoado como os mais cegos brilhos.

                       Olhos doentes assim, feitos de espanto,       
                       enormementes curvos com o medo
                       instalado nas pupilas como um quedo
                       silêncio ausente, mudo no seu canto.

                       Olhos aquém de sombras e segredos
                       que pela noite espiam, orbitais,
                       oriundos de presságios e degredos.

                       Olhos assim nunca se viu, medonhos,
                       Como fitassem luares ancestrais
                       e os mais atormentados, negros sonhos

                       (O Espelho em que terminas, pág. 40)